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terça-feira, 26 de outubro de 2010

São Paulo sepulta criticado 'estilo Muricy' em 2010, mas perde eficiência

O São Paulo conquistou o tricampeonato brasileiro entre 2006 e 2008 com características marcantes: uma defesa bem postada e bolas alçadas na área do adversário. O estilo adotado por Muricy Ramalho ganhou críticos ferrenhos, mas rendeu títulos ao time do Morumbi. Pouco mais de um ano após a saída do técnico, o clube comprova que mudou de vez sua forma de atuar, mas ainda tenta aliar o novo estilo à eficácia do antecessor.

Desde a chegada de Ricardo Gomes, substituto de Muricy, a postura da equipe vem se transformando. Agora, o quarteto ofensivo, filosofia do atual comandante Paulo César Carpegiani, é um verdadeiro divisor de águas em relação ao famoso São Paulo dos últimos anos.

Na época de Muricy, a marcação forte em todos os setores e os três zagueiros, quase sempre de alto nível, transformaram o jogo aéreo na principal arma. Mas em 2010, segundo estatísticas do Datafolha, só quatro equipes do Campeonato Brasileiro cruzam menos bolas na área que o São Paulo, cuja média é de 18,2 levantamentos em 31 partidas.

E além de cruzar pouco, cruza mal. Tem o segundo pior índice de aproveitamento, superior apenas ao do Atlético-GO (19,7% contra 18,7%).

A perda de espaço de Jorge Wagner, titular absoluto de Muricy e responsável pela maioria das jogadas aéreas, tanto de bola parada quanto com ela rolando, é um dos símbolos da transformação. Também contribui o problema nas laterais. Carpegiani tem utilizado atletas improvisados no setor: Jean pela direita e Richarlyson na esquerda.

Com tantos meias e atacantes, o São Paulo também deixou de se destacar na marcação. Em 2008, liderou o quesito no Brasileiro com 124,5 desarmes por partida. Bem superior à média atual de 114, que rende à equipe o 12º lugar entre os ladrões de bola.

"Naquela época, a equipe era armada para defender e praticamente ganhar de 1 a 0. Nossas vitórias eram todas por 1 a 0 e falavam que era um jogo chato de assistir. Uma equipe que defendia bastante e jogava por uma oportunidade de concluir em gol", relembra o zagueiro Miranda, sem esconder a saudade dos tempos em que atuava mais protegido.

Não é para menos. A mudança de atitude se reflete diretamente no número de gols sofridos pelo time do Morumbi. A zaga, melhor do Campeonato Brasileiro em 2006, 2007 e 2009, se transformou em um dos pontos mais preocupantes. É a sexta pior do atual certame. "Incomoda bastante. Hoje a equipe joga mais exposta e muito pra frente, por isso faz tantos gols e sofre muitos", comparou o frustrado Miranda.

Ao menos para agradar os amantes do futebol bonito, marcado pelos dribles, serviu a metamorfose são-paulina. O símbolo é o jovem Lucas, segundo maior driblador da competição, atrás apenas do santista Neymar. Ao passar a explorar mais a habilidade de seus jogadores, o São Paulo se inseriu entre os times que mais utilizam esse recurso.

Bom para o ágil lateral-direito Ilsinho, que fez parte do grupo campeão brasileiro de 2006 e enxerga bem as diferenças. "Eu me adaptaria mais jogando hoje, com mais dribles e jogadas individuais. O São Paulo é mais perigoso do que o de 2006, apesar de não estar vivendo um momento muito bom", analisou o jogador, que após seu retorno disputou somente duas partidas, e aposta no tempo para que o time recupere o equilíbrio que o levou aos títulos.

Luiza Oliveira
Em São Paulo

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